10.30.2009

Jam, dulcis amica

vem já, mesmo já, meu amor
as batidas do meu coração sou eu a chamar-te;
entra no meu quarto,
todo decorado e belo.

lá há mantas a cobrir os sofás
e toda a bela casa,
há até flores que se espalham
misturadas com ervas aromáticas.

a mesa está posta
com todo o tipo de delícias;
lá o vinho brilha e há tanto,
e há de tudo o que gostas, meu amor, há de tudo.

lá ouvem-se as doces symphonias
e as flautas tocam sempre mais e nunca param;
lá um rapaz e uma ágil rapariga
inventam belos poemas, e inventam-nos para ti.

enquanto ele toca a cítara,
ela vibra canções com a lira;
e os servos trazem os jarros
cheios de vinho doce.

um banquete assim tão grande não me agrada
prefiro a nossa conversas, os nossos surrurros,
nem me agrada toda esta abundância
tanto como as nossas parcas palavras.


por isso vem agora, tu que eu escolhi que mais que minha irmã

amo, mais que todos, mais que todas, acima de tudo
lux branca olhos leucoluzentes
que vêem e iluminam a parte da minha alma que estava ainda escura

eu fui sozinha à floresta mais funda
e descobri clareiras secretas
onde fui tantas vezes para fugir ao tumulto
e evitei a turba

a neve e o gelo já são água
as folhas e as ervas já são verdes
no céu já ouço um pássaro
queimo-me quando chego ao fundo da caverna do meu peito

amore meu, não demores
aprendamos a amar, nós que já somos mestres,
sem ti o que posso aprender? Amorte
traz a hora de desvendar a raiz do amor

porquê demorarmo-nos em horas e dias, meu amor
que não resistiremos a mais tarde recuperar em noites?
depressa apressa-te a próxima hora
é tua, é tua e não minha a demora.


Jam, dulcis amica, venito,
quam sicut cor meum diligo;
Intra in cubiculum meum,
ornamentis cunctis onustum.

Ibi sunt sedilia strata
et domus velis ornata,
Floresque in domo sparguntur
herbeque fragrantes miscentur.

Est ibi mensa apposita
universis cibis onusta:
Ibi clarum vinum abundat
et quidquid te, cara, delectat.

Ibi sonant dulces symphonie
inflantur et altius tibie;
Ibi puer et docta puella
pangunt tibi carmina bella:

Hic cum plectro citharam tangit,
illa melos cum lira pangit;
Portantque ministri pateras
pigmentatis poculis plenas.

Non me juvat tantum convivium
quantum post dulce colloquium,
Nec rerum tantarum ubertas
ut dilecta familiaritas.

Jam nunc veni, soror electa
et pre cunctis mihi dilecta,
Lux mee clara pupille
parsque maior anime mee.

Ego fui sola in silva
et dilexi loca secreta:
Frequenter effugi tumultum
et vitavi populum multum.

Iam nix glaciesque liquescit,
Folium et herba virescit,
Philomena jam cantat in alto,
Ardet amor cordis in antro.

Karissima, noli tardare;
studeamus nos nunc amare,
Sine te non potero vivere;
jam decet amorem perficere.

Quid juvat deferre, electa,
que sunt tamen post facienda?
Fac cito quod eris factura,
in me non est aliqua mora.

http://www.thelatinlibrary.com/iamdulcis.html

Eu de mãos dadas com o Barão de Teive...

... e vá-se a ver, ninguém nos avisou. E até aposto que isto já é antigo. Portanto este post é para aquelas pessoas que são interneticamente analfabetas, ou então pessoanamente analfabetas, o que acaba por ser a mesma coisa.

10.25.2009

Sobre o Romantismo e Mimesis

Os poetas românticos tentaram quebrar com a teoria poética mimética que, em variegadas formas e modulações permaneceu o fundamento principal da criação poética até ao neo-classicismo. Uma teoria de arte que se assuma como imitação foi entendida como se fosse diametricamente oposta à noção completamente individualista que foi seguida pelos poetas românticos: estes acreditavam que ao escrever poesia não estavam a imitar nem a realidade nem os autores clássicos, mas preferiam ao invés disso entender os poetas, os indivíduos que escreviam, como catalizadores, a imagem é de Shelley na Defense of Poetry, o material bruto que, em contacto com o "Espírito", a "Natureza", ou qualquer que fosse o nome atribuído a essa noção de indomável physis, e que gerava a reacção chamada Poesia sem que houvesse qualquer efeito no poeta propriamente dito.

Poetry, in a general sense, may be defined to be “the expression of the imagination”: and poetry is connate with the origin of man. Man is an instrument over which a series of external and internal impressions are driven, like the alternations of an ever-changing wind over an Æolian lyre, which move it by their motion to ever-changing melody.

Mas o que me interessou para isto não foi essa noção da chamada "harpa eólica", que de qualquer modo não é assim tão simples, mas a legitimidade da reacção da teoria mimética. Ora se o Romantismo se desfaz do carácter de imitação como definidor da sua poesia, e se a arte se assume como baseada unicamente em expressão dessa força dæmonica, então chegamos a uma encruzilhada. Temos a possibilidade de assumir que a arte, e a poesia em particular, é consubstancial ao às forças caóticas que possibilitaram essa criação, que a poesia é "os deuses", o que por muito poético que soe não me parece que tenha sido a intenção, pois levanta demasiados problemas, ou então, o que me parece muito mais sensível, a poesia é expressão divina, é o "soar da harpa eólica", é a marca que os deuses deixam no mundo através da mão do poeta. Mas não é isto ainda assim μίμησις? Platão em alguns diálogos rejeita a poesia como sendo imitação do mundo físico, sendo portanto censurável na medida em que estaria duplamente afastada do mundo imaterial das Idéias. A imitação da natureza, como a defende Aristóteles, não faz mais que afastar daquilo que realmente importa. Não será que a a concepção Romântica assume mais paralelos com uma teoria poético-moral platónica do que com a mais bem-sucedida teoria aristotélica? Pois não é o deixar os deuses falar e deixar marcas 'apenas' mais um capítulo da teoria mimética, na medida em que continua a não haver espaço teórico para a criatividade individual, para uma poesia ex nihilo, enquanto a poesia continuar a ser uma expressão mais fiel possível das forças que estão em jogo? A diferença é que o mimêta deixa de ser o poeta, e passam a ser os deuses propriamente ditos, com a ressalva de que agora, em vez de a physis ser imitada por outrém, está a expresar-se e a imitar-se a si mesma, numa mimesis sui que é ainda assim mimesis. Se o poeta não fôr 'reduzido' ao estatuto de "harpa eólica" ou de "catalizador", então a physis está necessariamente a exprimir-se a si mesma. Se assim não fôr, e mesmo que aceitarmos uma poética menos de-autoral que a de Shelley, em que o poeta ainda tenha alguma função activa, então ainda assim é o poeta a 'mimar' aquilo que lhe é confiado pelos deuses.

O que Shelley diz em relação a isso é formidável: se o poeta ao escrever não consegue atingir as alturas que a insuflação divina lhe permitia, é porque existe um vazio temporal gigantesco entre o momento da inspiração e o da escrita: a possessão do humano pelo divino é breve, e no momento em que é passada a poema resta apenas uma sombra pálida; curioso é o modo como prossegue a desmantelar um dos mitos que ainda se ouvem de bocas de poetas (principalmente principiantes, mas não só), de que "aquilo veio no momento, [moralmente] não o posso editar"; o que Shelley diz é que a contínua revisão não só é lícita como aliás é moralmente certa: editar o poema fruto de inspiração divina é dar côr à palidez, é aproximar a sombra do poema inspirado daquela idéia que o Espírito lhe houvera revelado. -- enquanto existe uma força que se fala e que consegue com maior ou menor sucesso ser passada para papel, então o pressuposto é que há algo a atingir, um ideal platónico a tocar, que está a ser imitado. Não é mais a imitação aristotélica, mas continua a ser muito derivativo, parece-me.

Escusado será dizer que tudo isto é uma reflexão, de largo a largo muito básica e muito possivelmente já desmantelada em muitos sítios: quer tenha sido quer não é muito um esboço. Convidaria comentários que me mostrassem como estou completamente errado, ou que me mostrassem livros onde pudesse eu descobrir como estou completamente errado, ou então discussão para continuar esta reflexão a mais cabeças (para descobrirmos o quanto estou errado!).


PS: Noutras notícias, embora tenha sido isso que encorajou este post, o Shelley continua a resistir à tradução.

This dog.


κατεβην χθες

O meu grego não é ainda ágil o suficiente para ler grandes obras grandes em extensão. Lá vou deitando os olhos ao texto paralelo, mas se quero ler o livro de fio a pavio não me posso iludir dedicando-me apenas ao original (ou talvez esteja aqui a razão pela qual verdadeiramente não consigo?). Mas então, visto que estou a começar a República, lanço-me com duas cópias abertas, a da Gulbenkian traduzida pela professora Rocha Pereira, e uma versão italiana bilingue, traduzida por Francesco Gabrieli. Li apenas as primeiras linhas, mas para a questão interessa unicamente a primeira palavra. Κατέβην. Dirigi-me para baixo. κατα + έβην. κατέβην χθὲς εἰς Πειραιᾶ. "Desci ontem ao Pireu." Em Português aparece inocentemente como "Fui." "Ontem fui até ao Pireu." Já me tinham falado do paralelo da descida, do declínio, presente no confronto entre esses dois autores basilares que respondem um ao outro, Nietzsche e Platão, tal como Zarathustra responde a Sócrates; pois na altura o que estava em questão era o Zarathustra a transbordar de sabedoria que descia para junto da civilização no início do seu livro. O italiano lá tem "sono sceso". Mas ao ver aqui toda a simbologia e intertextualidade que poderia ter sido preservada se a tradução tivesse permanecido mais fiel ao original (sem sequer com prejuízo de inteligibilidade), mas que é ao invés disso substituida por um pálido "fui", entristeço-me. Tu Marcellus eris. Fiquei sem vontade de ler.

10.24.2009

Livros Bilingues




Aproprio-me, como ponto de partida, dum post feito há algum tempo atrás no Bibliotecário de Babel, este aqui, que defende que na publicação de livros internacionais, perdendo-se inevitavelmente muita coisa na tradução, especialmente na tradução de poesia, o mínimo que deve ser feito, no que aos textos inclusos diz respeito, seria disponibilizar o texto original paralelo para o leitor poder consultar sempre que quiser. Não poderia estar mais de acordo. O original é uma mais valia sempre, pois mesmo se o leitor não souber nada da língua original, dificilmente “ocupa espaço”, especialmente sendo a poesia um género que não tem por norma ocupar 1000 e tal páginas (A não ser que sejam o Kazantzakis, ou o James Merrill). Quando cheguei a Roma a primeira impressão que me fez o mercado editorial foi ver a grande grande maioria dos livros de poesia traduzidos com o original lá sempre. Não o ter é a excepção, não a regra. Em Portugal há algumas editoras que de vez em quando lá têm a oportunidade de o fazer (que o diga a edição das Elegias de Hölderlin que neste momento leio, cortesia da Assírio e Alvim), mas é muito mais raro. O problema do Bibliotecário de Babel é relevante pegue-se por onde quisermos.

Mas isto é apenas um ponto de partida. Um outro tipo de textos que não perderia nada em ser por norma associado ao original é o dos textos clássicos. Ter por regra bilingues Aristóteles, ou Virgílo, ou Santo Agostinho, seria uma mais valia enorme, mas que em si anda está mais longe do que a poesia (assim de memória lembro-me de alguns volumes da Gulbenkian: as Cartas a Lucílio e a Historia Calamitatum do Abelardo; duma velhinha edição das Nuvens; duma recente tradução da Lex Duodecim Tabularum; do Diálogo sobre a Felicidade do S. Agostinho das Edições 70 · de certeza absoluta que há outras, mas nunca as suficientes para o número ser significativo). Refiro-me unicamente ao texto, sem incluir aparato críticο, sem vastas notas de rodapé, etc (isso sim a reservar para edições mais 'cuidadas'): apenas ao texto grego ou latino posto paralelo à tradução, como se faz com os textos de poesia. Uma direcção que a colecção de Clássicos Gregos e Latinos das Edições 70 ainda vai a tempo de seguir.

Isto traria várias vantagens, a menor das quais não sendo sequer o facto de que esconder (ou não revelar: ληθεν?) uma língua em sítios onde ela deveria estar quase omnipresente ser meio caminho andado para subconscientemente essa língua ser esquecida não existir. E se há, por exemplo, quem estude o filosofia grega ainda no secundário, talvez se tivesse nas mãos uma edição bilingue aquela massa de caracteres gregos não lhe fosse tão alienígena no futuro, com todas as advenientes vantagens; não a ver é meio caminho andado para ela não existir, mas ficar familiarizado com a presença de algo é meio caminho andado para a amar. Isto é um argumento pedagógico, por certo, mas não é, de longe, o único invocando; pela mesma lógica argumentativa do Bibliotecário de Babel, "o que se perde na tradução" é demasiado precioso, e devia estar localizado de modo a chamar à atenção. E nem penso particularmente em textos filosóficos: o que se perde no Updike perder-se-á também e quiçá mais em Propércio ou em Teócrito.

Claro que me dirão que o mercado obedece a regras de procura e que estes textos já não vendem por si, quanto mais com o preço acrescido que estas edições pediriam; que, em última instância, não há mercado para este tipo de edições. Certo. Será verdade. Mas certas edições não se compreendem (qual é a lógica, por exemplo, da selecção de quais serão bilingues feita pela Gulbenkian?), e outras poderiam muito bem ter suportado o texto paralelo, por exemplo a Poesia Grega traduzida pelo Frederico Lourenço (o azulzinho da Cotovia): não foi o Paradise Lost na mesma colecção publicado bilingue? Por ser Inglês e ter mais público? Talvez precisamente por isso o Grego devesse também ter sido incluído. Dir-me-ão que seria os editores e tradutores estarem a arranjar sarna para se coçarem; que é estar a puxar a brasa à minha sardinha, e que fazer isso com os Clássicos exigiria que se fizesse o mesmo com todos os textos de todas as línguas (embora não me parece que esse argumento pegasse, por razões um pouco partidárias). Mas vá, necessariamente este meu argumento será emocional. Estando eu porém fora das contingências do mercado editorial tenho uma habilitação certificada para mandar bitaites, e uso esse direito: e parece-me que haveria muito muito mais a ganhar que os custos e dificuldades incorridos. Mas caveat venditor. Etcetera. Valete.




PS: Um poema para quem adivinhar donde é o texto da imagem.

Trovão, Mente Perfeita, Nag Hammadi

I am the silence that is incomprehensible
       and the idea whose remembrance is frequent.
I am the voice whose sound is manifold
       and the word whose appearance is multiple.
I am the utterance of my name.


Um belissíssimo poema gnóstico grego (a edição que temos é copta). Pode ser lido em Inglês na íntegra (os fragmentos sobreviventes) aqui. Alguém sabe que (se) traduções há para Português?

deuses

Hoje quando estava a ler em voz alta a tradução do Ulysses antes de a gravar, parei neste verso.

Algo digno de homens que se bateram com deuses.

Acho que até hoje nunca tinha lido a palavra deuses, ou então que a formuláica pronúncia tinha desgastado a palavra em prol do seu significado quasi-sublime. Penso que isto terá sido derivado de duas coisas: em primeiro lugar não teria sido possível se o que lá estivesse fosse apenas "deus"- é demasiado curto, a palavra acaba logo após começar; e depois eu estava a testar vários pontos de alongar determinadas palavras, e esta arrastou-se tanto (que na métrica da leitura quer dizer uns microsegundos mais) que fiquei petrificado quase um minuto a olhar para ela. O dental d, o ditongo conferiram à palavra o sentido que ela merece, embora a cisão entre a palavra colectiva 'deuses' e aquelas entidades necessariamente implicadas pelo plural seja completa. Não há qualquer relação: a maneira como agora penso a palavra foi muitíssimo elevada, mas o conceito a ela associado não foi tocado sequer.

O Antoine Roquentin de Le Nausée sofre os (agora lugares-comuns) despertares existenciais, a morte de Deus se quisermos, várias vezes ao longo do romance; a maior parte das vezes estão associadas ao modo como a realidade se esvazia da ordenação doada pela linguagem, da estrutura de sentido em que um objecto se inseria por ter um determinado nome, por a ele estar associada uma palavra, por a palavra ser o objecto, ao invés de, o que depois ele se apercebe, de ser uma massa disforme e incongruente, simultaneamente unida e separada, uma pertença que a tudo assimila, opaca e terrível a que ele chama "existência".

Aqui passou-se algo semelhante mas numa frequência drasticamente diferente: a palavra foi retirada do campo do mundo, da relação que poderia ter com objectos que nele existem, neste caso os deuses (e agora de cada vez me custa voltar a empregar a palavra), para ganhar uma desligada sacralidade. Poderia talvez chamar a isto uma simples apreciação estética da sonoridade da palavra, mas isso seria realmente simplificar: muito mais teve que ver com as sílabas saltarem pela primeira vez à vista e ao ouvido tendo ainda a memória esvanecente do que em tempos significaram. Deuses. A palavra deuses deixa de querer dizer "deuses" como comummente o entendemos, deixa de ser plural de deus, deixa de fazer referências a qualquer tipo de ser com conotações religioso-espirituais. É a palavra em si que adquire o peso dessa conotação, embora desligada de toda a possibilidade de referência a Deus. É a conotação pura, por assim dizer, significada por um par de sílabas vazio, vazio.

10.23.2009

Ulysses — Tennyson



Ulysses

Serve de pouco que, reinando em repouso
À lareira calma, por entre estes penhascos desertos,
Ao lado duma rainha velha, decida e passe
Leis injustas a uma raça de selvagens
Que poupam, e dormem, e comem, e não me conhecem.
Não posso descansar de viajar. Beberei
A vida até à última gota. Em todas as alturas muito
Me alegrei, muito sofri, tanto com aqueles
Que me amavam, e sozinho; na costa, e quando
Por correntes agrestes as Hyades chuvosas
Agitavam o mar ténue. Tornei-me no meu renome.
Pois vagueando sempre de coração faminto
Muito eu vi e conheci — cidades de homens
E costumes, climas, conselhos, governos,
E eu mesmo não por último, mas honrado por todos eles;
E bebi o êxtase da batalha com os meus pares
Lá longe nas planícies soantes da ventosa Ílion.
Sou parte de tudo quanto conheci;
Toda a experiência é todavia um arco por onde
Brilha aquele mundo por viajar, cuja margem se esbate
Para sempre e para sempre quando avanço.
Quão murcho é parar, chegar ao fim,
Enferrujar sem polimento, sem brilhar no uso!
Como se a vida fosse só respirar! Vida amontoada em vida
Não bastaria, e para alguém como eu
Muito pouco resta; mas cada hora é roubada
Àquele silêncio eterno, algo mais,
Portador de novos feitos; e tão vil que seria
Apenas para uns três sóis guardar-me e poupar-me.
E este espírito pálido, ardendo em desejo
De perseguir conhecimento como uma estrela cadente
Para além dos limites últimos do pensamento humano.

É este o meu filho, o meu fiel Telémaco,
A quem eu deixo o ceptro e a ilha —
É-me bem amado, e dedica-se bem
Às suas tarefas, para com cautelosa prudência suavizar
A gente rude, e com decretos gentis
Reduzi-los ao útil e ao bom.
É magnamente incensurável, focado na sua esfera
De deveres partilhados, decente o suficiente para não desapontar
Nos ofícios de ternura, e pagar
Justo respeito aos deuses do meu lar,
Quando estou ausente. É esse o seu trabalho, o meu é outro.

Ali jaz o porto, a nau rebate a vela;
Ali pairam os negros e largos mares. Os meus marinheiros,
Almas que se bateram, sofreram e pensaram comigo —
Que sempre com saudações alegres receberam
Quer trovões quer raios de sol, e se aguentaram
Com corações livres, livres frontes — eu e tu estamos velhos;
Tenha ainda a velhice alguma honra e serviço.
A morte encerra tudo; mas algo antes do fim,
Algum feito de notável memória pode ainda ser feito,
Algo digno de homens que se bateram com deuses.
As luzes já cintilam nos rochedos,
O longo dia põe-se, a lua lenta sobe, as profundezas
Gemem à volta com muitas vozes. Venham, meus amigos,
Não é tarde de mais ainda para perseguir um mundo mais novo!
Ao mar, e sentados em ordem remai
Contra os bancos de areia; pois o meu propósito
Impele-me a navegar para além do sol posto, e do mergulho
De todas as estrelas ocidentais, até morrer.
Pode muito bem ser que o golfo nos submerja no seu banho.
Ou pode muito bem ser que atinjamos as ilhas dos Bem-Aventurados
E vejamos o grande Aquiles, que em tempos conhecemos.

Embora muito esteja tomado, muito resta; e embora
Já não sejamos aquela força que nos velhos tempos
Moveu a terra e os céus, somos aquilo que somos —
Um disposição firme de corações heróicos,
Enfraquecidos pelo tempo e pelo fado, mas com forte vontade
De tentar, perseguir, encontrar e não desistir.


de Alfred Lord Tennyson, tradução minha,  leitura minha aqui.


It little profits that an idle king,
By this still hearth, among these barren crags,
Match'd with an aged wife, I mete and dole
Unequal laws unto a savage race,
That hoard, and sleep, and feed, and know not me.
I cannot rest from travel: I will drink
Life to the lees: All times I have enjoy'd
Greatly, have suffer'd greatly, both with those
That loved me, and alone, on shore, and when
Thro' scudding drifts the rainy Hyades
Vext the dim sea: I am become a name;
For always roaming with a hungry heart
Much have I seen and known; cities of men
And manners, climates, councils, governments,
Myself not least, but honour'd of them all;
And drunk delight of battle with my peers,
Far on the ringing plains of windy Troy.
I am a part of all that I have met;
Yet all experience is an arch wherethro'
Gleams that untravell'd world whose margin fades
For ever and forever when I move.
How dull it is to pause, to make an end,
To rust unburnish'd, not to shine in use!
As tho' to breathe were life! Life piled on life
Were all too little, and of one to me
Little remains: but every hour is saved
From that eternal silence, something more,
A bringer of new things; and vile it were
For some three suns to store and hoard myself,
And this gray spirit yearning in desire
To follow knowledge like a sinking star,
Beyond the utmost bound of human thought.

This is my son, mine own Telemachus,
To whom I leave the sceptre and the isle,—
Well-loved of me, discerning to fulfil
This labour, by slow prudence to make mild
A rugged people, and thro' soft degrees
Subdue them to the useful and the good.
Most blameless is he, centred in the sphere
Of common duties, decent not to fail
In offices of tenderness, and pay
Meet adoration to my household gods,
When I am gone. He works his work, I mine.

There lies the port; the vessel puffs her sail:
There gloom the dark, broad seas. My mariners,
Souls that have toil'd, and wrought, and thought with me—
That ever with a frolic welcome took
The thunder and the sunshine, and opposed
Free hearts, free foreheads—you and I are old;
Old age hath yet his honour and his toil;
Death closes all: but something ere the end,
Some work of noble note, may yet be done,
Not unbecoming men that strove with Gods.
The lights begin to twinkle from the rocks:
The long day wanes: the slow moon climbs: the deep
Moans round with many voices. Come, my friends,
'T is not too late to seek a newer world.
Push off, and sitting well in order smite
The sounding furrows; for my purpose holds
To sail beyond the sunset, and the baths
Of all the western stars, until I die.
It may be that the gulfs will wash us down:
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho' much is taken, much abides; and tho'
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven, that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.

10.22.2009

Winter


Winter I picked for my favourite of gems
and I plucked them with pain from your jaw and your teeth,
then I polished your molars until small golden coins
gnawed away at my tongue, though incorruptible flesh
has never been dear, or has ever been healthy for those who're inside
yet still curse at the sea, or are known to prefer a beverage of marble,
or sand, or crystal or power, have hands that will grapple with creatures so sour
that they click their own tongues at the hour of waking
of alternative living, the violence and reading, the seafaring scrolls
in sanskrit or spanish are assonant with whalish
or thought, and wires that moan,
pyres that long for a body that's gone
from a skylight the irides left are now burnt
to the sky, and write in the clouds,
purple not orange, and hope that the word in the heavens
reads better than braille, alms for the blind
who have stabbed their own sight with arrows of peace
and rise like a dog who's been given a name, 's been given a bone
dry as his throat, salty as Summer,
molten in fires that melt the acacia
in the fairy tree copse and their gifts of speech give
to the transmuted demons, the sandpaper mutes, and his grace the dauphin
has approved the command, they nod and they benefact,
and with money of mouths pay the hell where they live
and biting the hand of the devil.

10.21.2009

Lit Tech




Li hoje este artigo, onde se narra a saga pela autenticidade duma das peças cuja atribuição a Shakespeare (e isto já parece o texto de ontem), The Reign of Edward III, sempre foi duvidosa. Um tal investigador utilizou um programa de captação de plágio para encontrar semelhanças com Shakespeare e Thomas Kyd, encontrando padrões, assinalando-os, atribuindo-os, etc, até chegar a uma conclusão mais-ou-menos definitiva (o artigo explica).

O curioso aqui não é necessariamente a ironia (software de plágio para descobrir Shakespeare!) como é a novidade de ter tecnologia ao serviço da literatura. Enquanto nas ciências naturais de outro modo já não seria de pensar, pelos campos de letras mais "tradicionais" a aplicação de tecnologia sempre se ficou em larga parte pela aceleração de consultas, acesso a bases de dados de textos, dicionários, etc. Uma automatização informática numa área que à partida eu admito que não associaria a nada que não fosse interpretação humana sem auxílio é bem vinda; claro que nada disto substitui um acompanhamento muitíssimo próximo do texto por parte de quem estiver a investigar-- mas isso é igualmente verdade nas ciências naturais. Citando,
You have to go on hunches - you can't just feed in all the numbers on every play and sit back," he says. "But what I'm hoping to do is bring about a marriage between human reading and machine reading. If you distrust computers, you won't advance at all; if you have just computers and know nothing about literature, you're likely to go wrong as well."
e de qualquer modo ele passou "mais de quatro décadas a estudar Shakespeare, e devotou inúmeras horas nos últimos dois anos até chegar ao seu veredicto sobre Eduardo". Tudo em conta, é uma aplicação da tecnologia como todas as outras [sic], e portanto vistas as coisas talvez não deveria ser de surpreender. Mas surpreende. Thumbs up.




PS: Estão a fazer uma coisa parecida com o Homero. Vai na volta e ainda dizem que afinal o tipo existiu.

10.20.2009

Pseudo-Aristóteles




Da Antiguidade chegaram-nos muitos documentos com o autor incerto. Não me refiro aos abundantes fragmentos cujo autor é completamente desconhecido, mas sim àquele grupo muito particular de "Pseudos" que tão desarticuladamente ladeiam o caminho da referência autorial. Pseudo-Aristóteles, Pseudo-Plutarco, Pseudo-Apolodóro, só para nomear uns quantos, frequentemente oscilam na crítica entre a remoção do prefixo e a inclusão. Escritos são avaliados e reavaliados segundo variados critérios de autenticidade até se chegar a uma opinião relativamente consensual relativa à autoria do escrito. Tudo muito giro. Mas bastante mais curioso é a razão para tais escritos de facto não terem um autor fixo. Algumas dessas razões são facilmente compreensíveis à sombra da alma humana: alguém escreve um texto, assina-o através dos meios disponíveis; anos mais tarde, uma de duas coisas acontece: o texto reemerge mas sem qualquer referência ao autor (perdeu-se o início, onde viria o nome, perdeu-se o que quer que fosse que autenticava o texto), e então algum promotor analisa-o e conclui (erradamente) que fora escrito por um outro autor com o qual ele estava já familiar; ou então, para aumentar a disseminação, escreve lá ριστοτέλους e aquilo corre que nem numa Maratona: isso seria de esperar.

Mas a mim interessou-me mais para esta mini-reflexão uma outra direcção. Daqueles casos em que se sabe que foi o próprio autor do texto quem o atribui a outrém. Imagina-te a escrever um livro, um tratado, um poema, e a amá-lo para além de ti mesmo, tanto que encontres na provável imortalidade dele maior mais-valia do que na apenas possível imortalidade que lhe seria dado alcançar caso se tivesse que arrastar consigo ainda mais o peso do teu nome. É preciso um grande amor. Claro que há vários pressupostos questionáveis nesta minha embelização: de que a preocupação da perenidade estava presente; isso em si é muito discutível: já Foucault, naquele brilhante ensaiozito 'O que é um Autor?' (e agora espanquem-me por estar a referir-me ao all-quotable), fala da transição do peso da "função autor" na aurora da Modernidade e no questionamento dos Clássicos. Antes, na era pré-Moderna,

"textos que agora chamamos "literários" (histórias, folclore, épica, tragédias) eram aceites, circulados, e valorizados sem qualquer questão sobre a identidade do seu autor. A sua anonimidade era ignorada porque a sua idade real ou suposta era garantia suficiente da sua autenticidade. Textos, porém, que hoje em dia chamamos "científicos" (tratados cosmológicos ou celestes, médicos ou patológicos, de ciências naturais ou de geografia) eram considerados verdadeiros durante a Idade Média unicamente se o nome do seu autor viesse indicado. Afirmações como "Hipócrates afirma que..." ou "Plínio diz-nos que..." não eram meramente fórmulas para um argumento de apelo à autoridade; assinalavam um discurso comprovado."

Isso pode explicar em certa medida o apagamento voluntário de si. Mas, de qualquer dos modos, o que o monsieur F está a explicar é a aceitação social de um determinado texto na sua posteridade, não a atitude do autor. Regra geral, é de atestar que 'até' na Idade Média os autores, tendo a escolha disponível, deixam o nome registado (a música sacra, cujos autores só bastante tarde começam a deixar os nomes escritos, é uma excepção: mas no que sei pouco não me alongo). Será uma projecção presentista a de tentar inevitavelmente ver uma vontade de imortalidade pela poesia numa época que talvez não a tivesse? Até os versos de Virgílio

[Ille ego, qui quondam gracili modulatus avena
Carmen, et egressus silvis vicina coegi,
Ut quamvis avido parerent arva colono,
Gratum opus agricolis, at nunc horrentia Martis]
Arma virumque cano.

[Eu aquele, que em tempos compus com suave flauta
Poesia, e saí dos bosques até aos campos vizinhos,
Fazendo a terra servir ao ávido agricultor,
Obra de muito valor, e agora os horrores de Marte,]
Armas e o homem canto.

                   nos surgem apócrifos. Por serem de "qualidade inferior", por não se enquadrarem, a verdade é que a única referência do poeta a si mesmo é talhada e obliviada. Que reflecte isso? Que o autor ceda caminho à sua obra? Não me parece, até porque dificilmente o Ocidente honrou mais um poeta que Virgílio. Mas ele sabia já que a sua obra seria imortal (e talvez isso o assustasse). Mas então aqueles para quem essa certeza era tão improvável? Descartar a Ambição por Amor da Poesia? É como se as figuras de Keats nos surgissem à frente, e o resultado da sua intercalação fosse vastamente diferente daquele do que a ele induziram. Qualquer que seja a resposta final da filologia, este possível sacrificar-se em prol da obra é, no mínimo, estonteante.

The first was a fair maid, and Love her name;
    The second was Ambition, pale of cheek,
        And ever watchful with fatigued eye;
The last, whom I love more, the more of blame
    Is heap'd upon her, maiden most unmeek, -
        I knew to be my demon Poesy.




À laia de bónus, há alguns meses atrás deparei-me com uma edição dum suposto "Segredo dos Segredos", de Pseudo-Aristóteles, cuja 'dedicatória' traduzi. Deixo aqui a minha versão.


Quando eu estive em Antioquia ao vosso serviço, encontrei esta preciosíssima pérola de filosofia, e fora então sobejamente conveniente ao vosso serviço que fosse ela traduzida de Arábico para Latim. O que é mais, visto que eu desejava obedecer às vossas ordens com subserviência tal, e servir a vossa vontade tal como é minha responsabilidade, traduzi este livro, que muita falta fazia aos Latinos (e que além disso se encontra junto de apenas um minúsculo número de Árabes), com trabalho árduo e discurso claro tal, da língua Arábica para Latim, tudo para a vossa grandeza e honra, e por vezes desvendando uma letra por outra e por outras vezes o sentido a partir do contexto, visto que há junto dos Árabes um modo de dizer as coisas, e um outro junto dos Latinos.


Então Aristóteles o habilíssimo Príncipe dos Filósofos compôs este livro por mando do rei Alexandre, o seu pupilo, que lhe houvera pedido que se encontrasse com ele e lhe revelasse o segredo das artes quadripartidas, nomeadamente o movimento, os procedimentos e o poder dos poderes celestiais na astronomia, na arte da alquimia, na natureza, e na capacidade de compreender as essências, e como tratar as incantações aeromânticas e geomânticas. 


E embora ele tivesse tentado por todos os meios esconder os segredos das sabedorias acima mencionadas, ainda assim, opor-se à vontade e ao mando de um tão grande senhor era algo que ele nem ousava fazer nem devia sequer ter feito. Querendo portanto por um lado agradar ao seu imperador, e por outro querendo esconder os segredos dessas artes, compôs ele este livro através de adivinhas, exemplos, e sentidos figurados, ensinando na aparência das suas palavras a doutrina filosófica que dizia respeito àquele senhor dos senhores, de como preservar a saúde do corpo, e como adquirir a inefável utilidade e conhecimento dos corpos celestes. No interior, porém, no centro mais profundo da sua obra, deixou a Alexandre, enigmaticamente e em segredo, a mensagem principal que ele houvera tão veementemente insistido.

10.07.2009

Sartre contra Proust

Meknès. Como é que era então aquele montanhês que nos meteu medo numa ruela, entre a mesquita Berdaïne e aquela praça encantadora à sombra duma amoreira? Ele vinha na nossa direcção, a Anny estava à minha direita. Ou era à minha esquerda?

Aquele sol e aquele céu azul não eram mais que enganos. É a centésima vez que me deixo prender. As minhas memórias são como pistolas na bolsa do diabo: quando se abre só lá se encontram folhas mortas.

Do montanhês, não vejo mais que um grande olho apagado, leitoso. Mas este olho serve-lhe? O médico que me explicou em Bakou o princípio dos abortos do Estado também era vesgo, e quando me quero lembrar do seu aspecto, é também aquele globo esbranquiçado que aparece. Estes dois homens, como os Nornes, têm apenas um olho, que usam à vez.

Quanto a esta praça de Meknès, onde eu ia todos os dias, é ainda mais simples: já não a vejo de todo. Resta-me a sensação vaga de que era encantadora, e estas cinco palavras indissoluvelmente ligadas: uma praça encantadora em Meknès. Sem dúvida, se fechar os olhos ou se fixar o tecto com atenção, consigo reconstituir a cena: uma árvore ao longe, uma forma sombria e compacta que se inclina para mim. Mas tudo isto eu invento pelas exigências do meu argumento. Aquele Marroquino era grande e seco, e além disso reparei nele apenas no momento em que me tocou. Assim, eu sei ainda que ele era grande e seco: certas cognições abreviadas demoram-se na minha memória. Mas não vejo nada: tenho um belo folhear do passado do qual não retiro mais que farelos de imagens, e já não sei muito bem o que é que eles representam, nem se são recordações ou ficções.

Noutras ocasiões há ainda muitos casos em que até esses farelos desapareceram: não resta nada a não ser as palavras: eu poderia ainda contar histórias, contá-las demasiado bem (nas anedotas não temo ninguém, salvo os oficiais da marinha e os profissionais), mas não são mais que carcassas. Há para aí um tipo que faz isto ou aquilo, mas não sou eu, eu não tenho nada que ver com ele. Ele passeia por países sobre os quais eu estou tão informado como se nunca lá tivesse estado. Por vezes, no meu discurso, ele chega mesmo a pronunciar uns belos nomes lidos num Atlas, Aranjuez ou Canterbury. Fazem nascer em mim imagens completamente novas, como acontece, ao lê-los, às pessoas que jamais viajaram: eu sonho sobre as palavras, e isso é tudo.


in JP Sartre, Le Nausée, tradução minha

10.02.2009

Ir a Roma e não ver o Papa...

… é ainda assim melhor que vir a Roma e não ter Latim. O que vale é que este sítio está cheio de inscrições e cenas. Mas a verdade é que nenhuma das cadeiras latinas interessantes cabia. Em contrapartida, vou ter um primeiro semestre cheio disto.


Literatura Alemã
Hölderlin e a "fundação do significado".
Uma grande parte da bibliografia passa pelo modo como os filósofos como Hegel, Heidegger, etc leram Hölderlin. É quiçá a cadeira que mais me entusiasma neste momento.

Questões de crítica e de comparística literária.
História e crítica do Eurocentrismo.
A Doutora Rita Marnoto, que dirig(ia) o Departamento de Românticas, sugeriu-me que tentasse ter este professor. Não só dá no horário, como fui a ver e é o meu coordenador. Também me cheira que não me arrependerei nada.

Filosofia da História
J. P. Sartre e Albert Camus: problemas existenciais em confronto.
Esta é de um ano!

Gramática Histórica das Línguas Clássicas
Perfis históricos de Grego e de Latim. Noções de Indo-Europeu.

Língua e Literatura Grega
Leitura de Homero (livro XVIII da Ilíada e dum livro da Odisseia à escolha do estudante) e duma selecção de fragmentos dos líricos.
Eu já fiz a Literatura Grega III, Homero + Lírica, em Coimbra, mas apenas em tradução; esta é de língua também. Só espero que a Secretaria conimbricense não me mate à queima-roupa quando eu voltar.