3.25.2010

Emily Dickinson



I had no time to hate, because
The grave would hinder me,
And life was not so ample I
Could finish enmity.

Nor had I time to love, but since
Some industry must be,
The little toil of love, I thought,
Was large enough for me.

Hoje calhou-me receber no email este belo poema de Emily Dickinson. A pobre da moça que a certa altura da sua juventude se fechou num quarto, donde não mais saiu e onde viveu o resto da sua vida. Durante a qual não publicou mais que meia dúzia das centenas de poemas que foi guardando no baú estilo Pessoa. Mas mesmo após a acidentalmente descobrirem depois da sua morte acharam por bem comporem-lhe os poemas, pois, coitada, não sabia usar pontuação, gramática, e assim por diante. Assim, uma poesia que haveria de ser louvada por, entre outros, Gertrude Stein etc, pela sua hyperperspectividade e pela espécie de "cubismo poético", foi brutalmente corrigida por alguns dos seus editores que, não tenho dúvidas, julgavam que estavam a fazer-lhe o melhor serviço. Essas edições alteradas tornaram-se o padrão por décadas a fio, até finalmente, já na segunda metade do século XX (em 1960), ter surgido a edição completa dos seus poemas na versão "original", quase 100 anos após a morte de Dickinson (1886). Descubram as diferenças.

I had no time to Hate —
Because
The Grave would hinder Me —
And Life was not so
Ample I
Could finish — Enmity —
Nor had I time to Love —
But since
Some Industry must be —
The little Toil of Love —
I thought
Be large enough for Me —

3.19.2010

the gods, demeaned to bric-a-brac

Their fingers were all rotted, but their rings remained,
their empty loins were withered, but their thin skulls shone
with wide-eyed sophistry and brimmed with mocking smiles.
In their plush homes, the gods, demeaned to bric-a-brac,
cooped up like parrots in their cages of gold bars,
were hung in windows where with human voice they squawked
and cackled back those words which they were taught to say.

Nikos Kazantzakis, Odysseia, V.308-314, Kimon Friar (trad)