2.26.2014

um de muitos hinos

não é esta a noite do mundo. se for, não sei
pra que serve este coro, face ao silêncio
dos titans e à iniquidade demente
aprisionada no teu peito - porque é hei-de

preparar as danças, aprender as falas,
praticar a fé, e ensair justiça
até que na estreia do mundo não esteja omissa
nenhuma das virtudes? «entregá-las

à humanidade.» ingenuidade, bela
e travessa, a trapaceira liberdade
de que só um deus como Sade
se poderia lembrar. a tua promessa é grande. ainda que sê-la

seja uma responsabilidade demasiado
pesada. preferimos tarefas mais simples:
a arte, a poesia, o desenfrear dos sentidos, a inteligência.
lançando-me contra o mar encrespado

gritei o bem que não sou. mas o bem
aprende-se, e se carece
de professores, bem, ao menos mede-se
segundo os teus beijos, e tem

na tua glória a escala.
virá o dia em que no céu estrelado
não brilharão mais deuses e que no estrado
teatral do coração a lei que o teu sopro exala

não se fará ouvir. virá o dia
em que a justiça não poderá jorrar
e nem sequer gotejar, e não trará enfado
aos propósitos dos iníquos. seja. até então, desafia

a nossa vontade para os teus mandamentos.
invade o nosso desejo. apodera-te dos nossos gestos.
mesmo se nem sempre cumprirmos, faz de nós a festa
rouca que dite e vote ao teu silêncio.

2.20.2014

Persas — Quando viste...

Quando viste no mundo alguém a sacrificar ao demónio, tu por tua vez começaste a adorar Deus; e quando viste alguém a atacar e a assaltar e a perturbar homens bons e a tomar o que era deles com más acções, tu por tua vez evitaste tratar as criaturas com violência e rapina; cuidaste dos justos e deste-lhes as boas-vindas e recebeste-os na tua casa com presentes. A tua riqueza, viesse de perto ou de longe, foi adquirida honradamente. E quando viste pessoas a prestar falsos juramentos e a deixar-se corromper com dinheiro e a cometer perjúrio, tu por tua vez decidiste-te a dizer a verdade e a falar com justiça. Eu sou os teus pensamentos justos, as tuas palavras justas, as tuas justas acções, pensados, faladas, realizadas por ti.
(Poema persa séc VI a.C.)

2.08.2014

O que faz falta...

What is most needed is a thorough and accurate knowledge of the poems, conjoined with the sort of common sense that would be used in the study of a modern author. This can be better attained by reading Homer and consulting the literature of criticism than by reading the literature of criticism and consulting Homer.
George M. Calhoun, Polity and Society p.438
(citado na epígrafe a Anne Parry, Blamess Ægisthus)

obrigado Sophia!

2.05.2014

PRECE QUA FATIGENT?

Quem vocet divum populus ruentis
imperi rebus? Prece qua fatigent
virgines sanctæ minus audientem
     carmina Vestam?

ει δέ τις ὑπέροπτα χερ-
σὶν ὴ λόγῳ πορεύεται,
Δίκας αφόβητος ουδὲ
δαιμόνων ἕδη σέβων,
κακά νιν ἕλοιτο μοῖρα,
δυσπότμου χάριν χλιδᾶς,
ει μὴ τὸ κέρδος κερδανεῖ δικαίως
καὶ τῶν ασέπτων έρξεται,
ὴ τῶν αθίκτων ἕξεται ματᾴζων.
τίς έτι ποτ' εν τοῖσδ' ανὴρ θυμοῦ βέλη
εύξεται ψυχᾶς αμύνειν;
ει γὰρ αἱ τοιαίδε πράξεις τίμιαι,
τί δεῖ με χορεύειν;

Serus in cælum redeas diuque
lætus intersis populo Quirini,
neve te nostris vitiis iniquum
     ocior aura

tollat; hic magnos potius triumphos,
hic ames dici pater atque princeps,
neu sinas Medos equitare inultos
     te duce, Cæsar!