12.02.2015

Shibboleth // um poema do Paul Celan

Shibboleth


Junto das minhas pedras
grandes de tanto chorar
por detrás das grades
arrastaram-me
para o meio do mercado,
para lá,
onde se desfralda a bandeira
à qual eu não eu prestei juramento.

Flauta,
Flauta-dupla da noite:
pensa na negra
roda dupla
em Viena e Madrid.

Põe a tua bandeira a meia haste,
Memória.
A meia haste
hoje e para sempre.

Coração:

dá-te também aqui a conhecer,
aqui, no meio do mercado,
Convida-o, ao Shibboleth,
para a estranheza do lar:
Fevereiro. No pasarán.

Unicórnio:

tu sabes das pedras,
tu sabes das águas,
vem,
que eu levo-te para longe
para as vozes
da Estremadura.


Paul Celan. Tradução minha.


Schibboleth

Mitsamt meinen Steinen,
den großgeweinten
hinter den Gittern,
schleiften sie mich
in die Mitte des Marktes,
dorthin,
wo die Fahne sich aufrollt, der ich
keinerlei Eid schwor.

Flöte,
Doppelflöte der Nacht:
denke der dunklen
Zwillingsröte
in Wien und Madrid.

Setz deine Fahne auf Halbmast,
Erinnrung.
Auf Halbmast
für heute und immer.

Herz:

gib dich auch hier zu erkennen,
hier, in der Mitte des Marktes.
Ruf's, das Schibboleth, hinaus
in die Fremde der Heimat:
Februar. No pasaran.

Einhorn:

du weißt um die Steine,
du weißt um die Wasser,
komm,
ich führ dich hinweg
zu den Stimmen
von Estremadura.