Dei por mim a folhear o meu volume do Paul Celan enquanto esta música tocava nos meus ouvidos. E apercebi-me do quão bem os dois vão juntos.
Tübingen, Janeiro
Olhos con-
vertidos à cegueira.
A sua —«são
um enigma as puras
origens»—, a sua
memória de
torres de Hölderlin flutuando no esvoaçar
de gaivotas.
Marceneiros afogados visitando
estas
palavras a afundarem-se:
Se viesse,
se viesse um homem,
se viesse um homem ao mundo, hoje, com
a barba de luz dos
patriarcas: só poderia,
se falasse deste
tempo, só
poderia
balbuciar balbuciar
sempre,sempre,
só só.
(«Pallaksch. Pallaksch.»)
Paul Celan, Sete Rosas Mais Tarde, João Barrento (trad.), Cotovia (1996)
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