Intermissa, Venus, diu
rursus bella moves? parce precor, precor.
non sum qualis eram bonæ
sub reno Cinaræ. desine, dulcium
mater sæva Cupidinum,
circa lustra decem flectere mollibus
jam durum imperiis: abi
quo blandæ juvenum te revocant preces
tempestivius in domum
Pauli purpureis ales oloribus
comissabere Maximi,
si torrere jecur quæris idoneum:
namque et nobilis et decens
et pro sollicitis non tacitus reis
et centum puer artium
late signa feret militæ tuæ,
et, quandoque potentior
largi muneribus resierit æmuli,
Albanos prope te lacus
ponet marmoream sub trabe citrea.
Illic plurima naribus
duces tura, lyræque et Berecyntiæ
delectabere tibiæ
mixtis carminibus non sine fistula;
illic bis pueri die
numen cum teneris virginibus tuum
laudantes pede candido
in morem Salium ter quatient humum.
me nec femina nec puer
jam nec spes animi credula mutui
nec certare juvat mero
nec vincire nobis tempora floribus.
sed cur hey, Ligurine, cur
manat rara meas lacrima per genas?
cur facunda parum decoro
inter verba cadit lingua silentio?
nocturnis ego somniis
jam captum teneo, jam voluucrem sequor
te per gramina Martii
campi, te per aquas, dure volubilis.
Horatii Odarum IV.1
29/10/2013
28/10/2013
da jungere dextram, / da, genitor, teque amplexu ne subtrahe nostro
inclusas animas superumque ad lumen ituras
lustrabat studio recolens, omnemque suorum
forte recensebat numerum, carosque nepotes
fataque fortunasque virum moresque manusque.
isque ubi tendentem adversum per gramina vidit
Ænean, alacris palmas utrasque tetendit,
effusæque genis lacrimæ et vox excidit ore:
'Venisti tandem, tuaque exspectata parenti
vicit iter durum pietas? datur ora tueri,
nate, tua et notas audire et reddere voces?
sic equidem ducebam animo rebarque futurum
tempora dinumerans, nec me mea cura fefellit.
quas ego te terras et quanta per æquora vectum
accipio! quantis jactatum, nate, periclis!
quam metui ne quid Libyæ tibi regna nocerent!'
ille autem: 'tua me, genitor, tua tristis imago
sæpius occurrens hæc limina tendere adegit;
stant sale Tyrrheno classes. da jungere dextram,
da, genitor, teque amplexu ne subtrahe nostro.'
sic memorans largo fletu simul ora rigabat.
ter conatus ibi collo dare bracchia circum;
ter frustra comprensa manus effugit imago,
par levibus ventis volucrique simillima somno.
Vergilii Æneidos liber VI. 679-702
21/10/2013
20/10/2013
13/10/2013
felix, heu nimium felix...
«Despojos, que fostes doces enquanto o destino e o deus permitiu,
Recebei agora a minha alma e libertai-me das minhas dores.
Vivi sem jamais deixar de percorrer o que a Fortuna me indicou,
E desce agora às profundezas da terra a grande imagem do que fui.
Gloriosa é a cidade que fundei, cujas muralhas vi surgir,
E ao vingar o meu marido castiguei o inimigo meu irmão.
Felicidade, desmesurada felicidade, se às nossas costas
Jamais as proas Dardânias tivessem aportado!»
Assim falou, e apertou a cara contra o leito. «Sem vingança virá a nossa morte,
Mas que venha então. Descer até às sombras é isto, nada mais.
Que o cruel Dardânio se encharque do meu fogo ao vê-lo
Lá do alto mar, e leve consigo os meus portentos de morte.»
Vergilii Æneis. IV.651-663. Tradução minha.
'Dulces exuviæ, dum fata deusque sinebat,
accipite hanc animam meque his exsolvite curis.
Vixi et quem dederat cursum Fortuna peregi,
et nunc magna mei sub terras ibit imago.
Urbem præclaram statui, mea mœnia vidi,
ulta virum pœnas inimico a fratre recepi,
felix, heu nimium felix, si litora tantum
numquam Dardaniæ tetigissent nostra carinæ.'
Dixit, et os impressa toro 'Moriemur inultæ,
sed moriamur' ait. 'Sic, sic juvat ire sub umbras.
Hauriat hunc oculis ignem crudelis ab alto
Dardanus, et nostræ secum ferat omina mortis.'
Recebei agora a minha alma e libertai-me das minhas dores.
Vivi sem jamais deixar de percorrer o que a Fortuna me indicou,
E desce agora às profundezas da terra a grande imagem do que fui.
Gloriosa é a cidade que fundei, cujas muralhas vi surgir,
E ao vingar o meu marido castiguei o inimigo meu irmão.
Felicidade, desmesurada felicidade, se às nossas costas
Jamais as proas Dardânias tivessem aportado!»
Assim falou, e apertou a cara contra o leito. «Sem vingança virá a nossa morte,
Mas que venha então. Descer até às sombras é isto, nada mais.
Que o cruel Dardânio se encharque do meu fogo ao vê-lo
Lá do alto mar, e leve consigo os meus portentos de morte.»
Vergilii Æneis. IV.651-663. Tradução minha.
'Dulces exuviæ, dum fata deusque sinebat,
accipite hanc animam meque his exsolvite curis.
Vixi et quem dederat cursum Fortuna peregi,
et nunc magna mei sub terras ibit imago.
Urbem præclaram statui, mea mœnia vidi,
ulta virum pœnas inimico a fratre recepi,
felix, heu nimium felix, si litora tantum
numquam Dardaniæ tetigissent nostra carinæ.'
Dixit, et os impressa toro 'Moriemur inultæ,
sed moriamur' ait. 'Sic, sic juvat ire sub umbras.
Hauriat hunc oculis ignem crudelis ab alto
Dardanus, et nostræ secum ferat omina mortis.'
27/09/2013
Natureza e Arte, ou Saturno e Júpiter (Hölderlin)
tradução dedicada à Ália Rosa
Reges o dia nas alturas e floresce a tua
Lei. És tu quem segura a balança, filho de Saturno!,
Quem reparte a Sorte e descansa feliz no
Descanso das imortais artes do poder.
Mas dizem entre si os poetas que em tempos
Confinaste ao abismo o pai sagrado, o teu pai,
E que nas profundezas ele se lamenta por estar
Junto dos selvagens de antes de ti que justamente lá jazem.
O Deus da idade do ouro jamais teve culpa alguma.
Ele que foi em tempos descansado e grande como tu
Quando não tinha que enunciar nenhuma ordem
Nem nenhum dos mortais o chamava pelo nome.
Já cá para baixo! ou então não te envergonhes de estar grato!
E se insistes em ficar, serve o mais Antigo,
E concede que seja a ele que os poetas nomeiem
Antes dos demais Deuses e Homens .
Porque como das Nuvens teu Relâmpago, assim também dele
Vem aquilo que é teu: é dele que as tuas ordens
Dão testemunho, e é da Paz de Saturno
Que tem todo o poder sua origem.
E quando finalmente o meu coração
Sentir o Vivo, e quando o que tu violentaste entardecer,
Quando me adormecer placidamente
No berço o alternável tempo,
Só então te conhecerei, Krónida. Só então te ouvirei,
Sábio Mestre. Tu que és como nós um Filho
Do Tempo ao dares-nos as Leis e ao anunciares
Aquilo que o santo crepúsculo nos esconde.
Friedrich Hölderlin. Natur und Kunst, oder Saturn und Jupiter.
Tradução minha.
Du waltest hoch am Tag und es blühet dein
Gesetz, du hältst die Waage, Saturnus Sohn!
Und teilst die Los' und ruhest froh im
Ruhm der unsterblichen Herrscherkünste.
Doch in den Abgrund, sagen die Sänger sich,
Habst du den heilgen Vater, den eignen, einst
Verwiesen und es jammre drunten,
Da, wo die Wilden vor dir mit Recht sind,
Schuldlos der Gott der goldenen Zeit schon längst:
Einst mühelos, und größer wie du, wenn schon
Er kein Gebot aussprach und ihn der
Sterblichen keiner mit Namen nannte.
Herab denn! oder schäme des Danks dich nicht!
Und willst du bleiben, diene dem Älteren,
Und gönn es ihm, daß ihn vor Allen,
Götter und Menschen, der Sänger nenne!
Denn, wie aus dem Gewölke dein Blitz, so kömmt
Von ihm, was dein ist, siehe! so zeugt von ihm,
Was du gebeutst, und aus Saturnus
Frieden ist jegliche Macht erwachsen.
Und hab ich erst am Herzen Lebendiges
Gefühlt und dämmert, was du gestaltetest,
Und war in ihrer Wiege mir in
Wonne die wechselnde Zeit entschlummert:
Dann kenn ich dich, Kronion! dann hör ich dich,
Den weisen Meister, welcher, wie wir, ein Sohn
Der Zeit, Gesetze gibt und, was die
Heilige Dämmerung birgt, verkündet.
25/09/2013
Um poema do David
§8
Próprio de tantos de nós próprios
acender velas ou riscar fósforos
sonhando sempre que são archotes
David Mourão-Ferreira. Órfico Ofício.
Quam multorum nostrum
candelas accendere fometesve
faces quæ semper fingamus
(Trad. minha)
Próprio de tantos de nós próprios
acender velas ou riscar fósforos
sonhando sempre que são archotes
David Mourão-Ferreira. Órfico Ofício.
Quam multorum nostrum
candelas accendere fometesve
faces quæ semper fingamus
(Trad. minha)
22/09/2013
I have seen Sandro's
fingers locked and bent
and Filippino's, and though no art
historian I could be your friend,
one to lock and bend
my fingers round
the angels' plastered
on your blindèd wall. am not
regretful am epinicial the rock
in the song of the name in your
name in black and white your
lips impressed to kiss the form for
the name of pure drags
out in a verse of Pindar whose
meter's not to guess and whose cæsura
could be there where you least expected:
in your forename in the clear
in your last name
learnt and leaned
in a rock
learnt and leaned
on a rock
fingers locked and bent
and Filippino's, and though no art
historian I could be your friend,
one to lock and bend
my fingers round
the angels' plastered
on your blindèd wall. am not
regretful am epinicial the rock
in the song of the name in your
name in black and white your
lips impressed to kiss the form for
the name of pure drags
out in a verse of Pindar whose
meter's not to guess and whose cæsura
could be there where you least expected:
in your forename in the clear
in your last name
learnt and leaned
in a rock
learnt and leaned
on a rock
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